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14/11/2018 - Gabinete do Prefeito
Prefeitos da Região Carbonífera reivindicam política específica para fonte energética

Prefeitos da Região Carbonífera estão determinados a viabilizar uma agenda com o presidente eleito Jair Bolsonaro. O objetivo – apresentado em reunião na última segunda-feira (12) em Minas do Leão –  é reivindicar uma política para a exploração do carvão como fonte energética.
 

A concentração da matéria-prima está na Região Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul – que possui 89% das reservas do Brasil e já esteve no topo da produção nacional. Embora haja recurso mineral disponível nas jazidas, a extração está lenta devido à ausência de um programa capaz de atrair investidores.


O carvão tem sofrido nas últimas décadas com baixas no setor e o fechamento de usinas termelétricas no Rio Grande do Sul. Há dois anos, a usina de Charqueadas encerrou as atividades. Com isso, também foram prejudicadas as outras cidades que compõem a região: Arroio dos Ratos, Butiá, Eldorado do Sul, Minas do Leão, Triunfo, Barão do Triunfo, General Câmara e São Jerônimo. 


“Além do desemprego em massa, as prefeituras amargam com a queda drástica de seus orçamentos. Ainda mais em nossa região, que dispõe desse recurso, hoje totalmente subaproveitado”, explica Miguel Almeida, prefeito de Minas do Leão. Miguel destaca que, com o avanço das energias renováveis, a matriz se tornou uma alternativa economicamente viável e ambientalmente responsável. “Também significa segurança e estabilidade, pois não dependemos do clima”, complementa.


No município, até 2004, cerca de 20% da receita era proveniente da exploração. Após o fechamento da usina, a fonte secou. Em valores atuais, é como se a prefeitura deixasse de arrecadar R$ 6 milhões por ano. O secretário de Governo do município, Paulo Cesar Wisniewski, destaca que o recurso é finito, mas há excelente reserva. “Temos potencial de exploração para os próximos cem anos”, calcula. 


Sem apoio do BNDES


Para o presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Asmurc), Helton Holz Barreto, essa pauta deveria receber atenção do próximo governo federal. “Precisamos de mobilização para aquecer um setor que é vital para a geração de trabalho, que representa mais renda e desenvolvimento regional”, disse o prefeito de General Câmara.


No passado, um dos maiores financiadores do setor era o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que atualmente não dispõe de linha de crédito para finalidade. Nas contas da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), há cerca de 1,3 mil megawatts de geração que podem ser alvos desses projetos no país. Os investimentos ultrapassariam US$ 5 bilhões. Sem ajuda da União, investidores têm recorrido à China para viabilizar empreendimentos, a exemplo da Eletrobrás na usina de Candiota III, no Rio Grande do Sul. 

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